quarta-feira, 18 de março de 2009









BENEFICIOS DA MASSAGEM GERIÁTRICA

PARTE II – OSTEOARTRITE


O que é osteoartrite?



A osteoartrite (OA) é a artrite mais comum e caracterizada por degeneração da cartilagem nas articulações de sustentação do peso e pequenas articulações como as das mãos.

A OA ocorre em articulações sinoviais. A cartilagem articular vai-se detriorando com a idade e o esforço dispendido pelas articulações, formando-se osso novo nas margens e nas áreas subcondrais articulares. Esta degeneração resulta da lesão das células da cartilagem hialina (condrócitos). À medida que a idade vai avançando vai-se instalando um “amolecimento” da cartilagem, tendo como consequência um estreitamento do espaço articular. A lesão mecânica provoca erosão da cartilagem articular, deixando o osso subjacente desprotegido. Esta é a causa da esclerose, ou espessamento e endurecimento do osso imediatamente abaixo da cartilagem. As partículas da cartilagem vão “irritar” o revestimento sinovial da cápsula articular, que se irá tornar fibrótico limitando o movimento da cápsula artticular, logo de todo o aparelho articular envolvido.

O líquido sinovial poderá ser forçado para o interior de defeitos do osso, sendo a causa de quistos.
Dá-se, então o fenómeno da marginação que consiste na neo-formação óssea, denominada por osteofitose, nas margens articulares à medida que a cartilagem vai sofrendo erosão (marginação), fenómeno que é responsável pela alteração macroscópica (e muitas vezes palpável) dos contornos ósseos e aumento de volume das articulações atingidas.


A OA é a causa mais comum de incapacidade na população activa, sendo essa incapacidade dependente da articulação atingida e da gravidade do envolvimento articular, podendo variar da pequena limitação de mobilidade de um dedo até à grave incapacidade em pessoas que são atingidas nas articulações da anca ou do joelho.

A artrite pode ocorrer em pessoas mais novas, embora esteja geralmente associada ao envelhecimento. Quase toda gente com mais de 50 anos tem algum grau de osteoartrite, mas muitas vezes sem sintomas. O índice de progressão da OA varia, podendo as articulações atingidas permanecer estáveis durante anos num estadio inicial de deterioração.


Actualmente são múltiplas as causas responsáveis pelo desenvolvimento da OA. Os factores metabólicos (distúrbios endócrinos como o hiperperatiroidismo), factores genéticos (síntese de colagénio diminuída), factores químicos (medicamentos que estimulam enzimas que digerem o colagénio nas membranas sinoviais, como os corticosteróides) e o esforço repetido como factores mecânicos. Ainda existem factores predisponentes da OA sendo o mias comum um traumatismo, como também no caso de deformidade congénita, na postura defeituosa (obesidade) e no esforço ocupacional (lesão do joelho do ladrilhador).

No entanto, seja qual for a artrite que se manifeste, também existem outras estratégias para manter a dor e a rigidez sob controle.

Quais são as manifestações clinicas?



Como sabemos o nosso corpo é uma estrutura montada com articulações de ligação, que são ponto em que vários pares de ossos se unem. As extremidades de cada osso estão cobertas de cartilagem, um material resistente e liso que permite deslizamentos suaves das extremidades osseas. Para tornar o movimento ainda mais fácil, cada articulação está revestida por uma membrana amortecedora cheia de um liquido lubrificante com o nome liquido sinovial, que contribui para, que as articulações se movimentem quase sem atrito.

Quando se tem OA os movimentos articulares tornam-se dificeis. A lubrificação diminiu e a cartilagem começa a deteriorar provocando dor, rigidez, inflamação e outros sintomas associados à artrite, a dor piora com actividade, diminui com repouso e apresenta uma rigidez matinal com uma duração +/- 30 minutos.

Há pacientes que relatam períodos de dor intensa com edema. Outros podem ter inflamação persistente criando espessamento sinovial, aumentando a dor nas articulações afectadas.

Embora exista mais de 100 variedades de artrite, as mais comuns são a Osteoartrite, ou Artrite Degenerativa , e a Artrite Reumatoide.

Embora não haja cura para a artrite, há muitas coisas para controlar ou até eliminar o mal-estar.

OA primária compromete com mais frequência as articulações interfalângicas proximais e distais e a primeira carpometacarpica das mãos, os quadris, os joelhos, as primeiras metatársicas e articulações apofisárias da coluna vertebral.

O aumento de tamanho das articulações OA reflecte espessamento dos tecidos moles articulares, derrame ou formação de osteófitos nas articulações interfalângicas proximais e distais das mãos

Este desgaste da cartilagem num dos lados da articulação leva à crepitação e ao desalinhamento ósseo causando perda de movimento.

No caso da OA da coluna vertebral ocorre á medida que o núcleo pulposo começa a liquefazer-se no adulto jovem, e o anel fibroso começa a dessecar e dividir-se seguindo-se o colapso e extrusão do disco originando instabilidade das articulações posteriores que resulta estreitamento do espaço discal podendo comprimir as raizes nervosas e causar radiculopatia, ou estenose espinal, limitando ainda mais a liberdade de movimentos e fazendo aumentar a dor.

Não existe, como já referimos, uma causa única para as doenças reumáticas, falamos por exemplo de artrite infecciosa é provocada por bactérias ou fungos: artrite reumatóide, lúpus eritematoso, outras doenças do tecido conjuntivo têm causas imunogenéticas, como a gota, tendinite e bursite, enfim existem múltiplas causas para doenças muito diferentes.

As artrites infecciosas atingem mais as crianças e os idosos, pela deficiência imunológica.

A artrite reumatóide e o lúpus eritematoso sistêmico atingem mais as mulheres.

A artrose atinge com maior incidência as pessoas de idade mais avançada.

A progressão da OA faz-se por várias etapas, tais como:

Deterioração da cartilagem articular




As articulações estão sujeitas a uma grande quantidade de desgastes e estragos, como por exemplo, a articulação do joelho.

A deterioração da cartilagem começa por um amolecimento seguido pela separação de fibras acabando numa desintegração total da mesma.



Adaptação Óssea

A cartilagem normalmente lisa, fica picotada e desgastada, originando o crescimento de um novo osso sobre a superficie articular degenerada evidenciando saliências ósseas na extremidade da articulação que produzem pequenos esporões marginais dificultando a liberdade de movimentos e aumentando a dor.

Reacção Muscular

Os músculos esqueléticos constituem um mecanismo importante na manutenção da estabilidade das articulações e quando eles encontram uma articulação rígida e dolorosa, ficam contraídos produzindo espasmos (contracção involuntária de um músculo), cãibras (são espasmos vigorosos e mantidos, dolorosos e habitualmente de curta duração), dor, atrofia muscular (quando um músculo não está a ser usado por opção antálgica ou por falta de estimulação nervosa).

A OA é a forma de artrite mais comum, sendo uma doença crónica muito mais se pode dizer.

São várias as articulações atingidas mas as responsáveis pela mobilidade básica serão as mais importantes. Assim, entende-se por bem, iniciar por comentar sobre a sustentação do nosso corpo, os pés e algumas das suas patologias.


Patologias Correntes no Pé

O pé é a ligação entre o corpo e a superficie sobre a qual o organismo se move.

O pé permite estabilidade para absorver o impacto da marcha, flexibilidade para prover um contacto máximo com a superficie em várias posições; sensibilidade que permite informações ao sistema nervoso central sobre pressão, temperatura, vibração e posição espacial do membro.

Estes factores proporcionam ao homem uma movimentação anatómica e biomecânica especificas do pé.

A maioria das doenças e disturbios do pé podem ser devidas a factores biomecânicos, por infecções e/ou por distúrbios sistémicos.

O processo de envelhecimento pode exacerbar distúrbios pré-existentes ou causar novos.

A grande maioria das fisiopatologias do pé é complexa,pois tanto os ossos como as partes moles estão envolvidas. Os factores biomecânicos estão relacionados com os distúrbios do pé, levando também em consideração a anca e o joelho, mesmo que não sejam o motivo das queixas do doente.

A dor que envolve as articulações dos quatro dedos, é geralmente causada por um mau alinhamento das articulações. Esse mau alinhamento pode ser resultante de um arco do pé muito alto ou muito baixo, fazendo com que os dedos permaneçam em flexão (dedos em martelo).

O atrito constante contra os dedos flexionados faz com que a pele se torne espessa, formando um espessamento da pele conhecida como calosidade. O tratamento visa o alivio da pressão provocada pelo mau alinhamento, tal como, o uso de calçado mais fundo, almofadado, remoção das calosidades e por último, se necessário, cirurgia para corrigir os dedos.

Antes de qualquer manipulação ou massagem ao pé o massoterapeuta deve ter o minimo de conhecimentos para analisar exames clinicos que lhe permita excluir outras doenças responsáveis pelos sintomas relatados.

Ao examinar o doente deve ter-se em atenção a possibilidade de existir a presença de gota e artrite reumatóide, ou alterações na região sacrolombar e não esquecer , em especial , os desvios axiais nas extremidades inferiores que podem influenciar a mecânica estrutural do pé.

Os pés, são ambos analisados e comparados para avaliar as deformações, tais como pé plano, metatarso varo e zona calcânea. Também se deve verificar da existência de diferença na dimensão dos pés.

Quando existe dificuldade, ou incapacidade, de marcha em ponta de pés, sobre o calcanhar, sobre as zonas lateral e medial do pé, significa falta de estabilização e controlo muscular. Deve analisar-se a amplitude de movimentos em flexão e extensão das articulações metatarsofalângicas e das articulações interfalângicas proximal e distal. Verificação das diferenças nas amplitudes de movimento activo e passivo, crepitação articular e limitação dolorosa de movimento, bem como luxações, subluxações e deformidades articulares rígidas e flexíveis deve ser realizada para uma apreciação global cuidada.

O desvio axial e a rotação anormal podem produzir sintomas secundários no pé, por exemplo, uma deformação em rotação interna da tibia pode levar ao pé plano.

Também problemas na medula espinal e nas raizes nervosas, como espina bifida e hérnia de disco lombar provocam dores como sintomas radiculares.

O terapeuta deve estar também atento ao tornozelo, que é uma articulação, formado pelas superficies articulares da tróclea do astrágalo e das extremidades distais da fíbula e da tibia, a sua movimentação tibioastragaliana em eixo transverso que cruza os maléolos que permite como movimentos sómente a flexão dorsal e a flexão plantar.

Certas doenças sistémicas tendem a envolver o pé, tais como diabetes mellitus, doença vascular oclusiva periférica, gota, psoríase, artrite reumatóide e doenças do colágenio.

Os pés geriátricos têm caracteristicas próprias, como a presença de pele seca que é responsável pelo aparecimento de fissuras que permitem o alojamento de bactérias causadoras de infecções.

A partir dos 65 anos ocorre uma degeneração do sistema músculo-esquelético, notando-se nos pés uma deterioração com diminuição do tecido cutâneo e da vascularização periférica acompanhada por atrofia plantar.

Infelizmente com o passar dos anos, as artroses aumentam originando os “dedos em garra” e os “joanetes”. Encontramos ainda distúrbios, além do halux deformado, como as “unhas encravadas” e as bursites. Por vezes na palpação sentem-se osteófitos próximos às articulações.

A gota é uma doença reumática e metabólica que evoluí com hiperuricémia (elevado nivel de ácido úrico no sangue) e é resultante da deposição de cristais de ácido úrico nos tecidos e articulações.

A superprodução de ácido úrico é responsavel por 10% dos casos e a diminuição da excreção urinária de ácido úrico representa os restantes 90% dos gotosos.

A gota pode desenvolver-se em pessoas com diabetes mellitus, obesidade, anemia de células falciformes (doença sanguínea crónica hereditária, na qual os glóbulos vermelhos assumem a forma de foice com um funcionamento anormal) e doença renal.

A gota geralmente manifesta-se por inflamação, vermelhidão e com dor lancinante. Com os anos as articulações deformam-se e a doença assume o caracter crónico.
No caso dos pés, a articulação da base do halux (dedo grande do pé) é uma das mais afectadas (aproximadamente 75% dos casos), porém pode afectar outras articulações como o tornozelo, calcanhar, joelho, ombro, dedos, etc..

Esta doença tem quatro estágios evolutivos:

-Assintomática (ausencia de dor)
-Aguda (existem sintomas que se alternam ou se agravam repentinamente).
-Cronica (o oposto do estado agudo, os sintomas continuam ou persistem por um longo periodo)


A gota não é uma doença grave, mas está associada a outras doenças graves, como a hipertensão arterial, colesterol e triglicéridos, diabetes, obesidade e insuficiência renal.

O tratamento da gota envolve a dieta, para normalizar os niveis de ácido úrico no sangue, como diminuir alimentos ricos em proteinas (carnes vermelhas, frutos do mar), leguminosas (ervilhas, feijão, lentilhas, etc.),abstinência alcoólica, consumir água em quantidades adequadas aumentando a ingestão se necessário e, redução de peso. A ingestão de alimentos ricos em purina são metabolizados e transformados em ácido úrico .

A massagem terapeutica e a reflexologia podal neste caso são contra-indicadas para as articulações afectadas em todas fases da doença e nem mesmo o próprio doente permite o toque.

Como Aliviar a Dor em Poucos Minutos

Quando começarem aparecer os primeiros sinais de OA, ou artrite degenerativa, como por exemplo, tentar abrir uma lata e os dedos começam a doer, ou quando custa erguer de uma cadeira, temos necessidade de obter alívio para estes incómodos. Poderemos, então, tomar algumas medidas diariamente e, gastanto/investindo, em apenas alguns minutos, para ajudar a manter as articulações fortes e saudáveis.

Aplicação de Calor: Quando o corpo se encontra dorido nada melhor que banho quente, pois o calor relaxa os musculos e melhora a fluxo sanguineo às zonas afectadas, mas basta uma almofada de aquecimento, ou botija de água quente numa toalha sobre a zona afectada. Tente manter o calor pelo menos 20 minutos a repetir o tratamento três vezes por dia.

O calor ajuda ao relaxamento muscular em redor da articulação afectada, permitindo melhor movimentação.

Aplicação de Frio: Como a dor da artrite é muitas vezes provocada por inflamação, recomenda-se uma aplicação de frio sobre a articulação numa crise súbita.

(Reservar a aplicação do calor para os momentos em que se encontra dorido.

O arrefecimento da articulação ajuda a constringir os vasos sanguineos.

Pode aplicar-se uma almofada térmica, ou saco com gelo, na região durante 10 minutos, várias vezes ao dia.

Exercícios

Alongamento da Aponevrose Plantar




Em pé, com o ante-pé lesionado na borda de um degrau e o médio-pé e calcanhar sem apoiar em nada, tentar alcançar o fundo do degrau com o calcanhar até sentir o alongamento do arco do pé.


Manter esta posição 30 segundos e repetir 3 vezes.


Rolamento sobre Lata Congelada


Fig. 2


Descalço, deslizar o pé lesionado para a frente e para trás, rolando do calcanhar ao arco mediano, uma lata de refrigerante congelado.

Repetir por 5 minutos.


Bom exercicio para ser feito de manhã.


Levantamento dos Dedos do Pé Sentado





Fig. 3


Numa cadeira com os pés nivelados ao solo, suavemente elevar os dedos do pé lesionado, mantendo o calcanhar no chão.

Manter por 5 segundos

Fazer 3 séries de 10 repetições.



Apanhar a Toalha


Fig. 4


Com o calcanhar no chão, apanhar a toalha com os dedos do pé e largar.

Repetir de 10 a 20 vezes.


Exercícios com “faixa terapêutica”






Fig. 5


Realizar os exercícios apresentados na Fig. 5. Na falta da faixa terapêutica, recorra a uma toalha.
Colaboração de Dr. José Ribeiro e Cunha
Critérios:
William H.M. Castro; J.Jerosch - Exame e Diagnóstico dos Disturbios Musculoesqueléticos
Ruth Werner - Guia de Patologias para Massoterapeutas

2 comentários:

pink disse...

Boa tarde
Achei o seu blog muito interessante.
Estou a fazer um trabalho de fim de curso sobre os beneficios da massagem terapeutica em doentes com fibromialgia, mas estou com dificuldade em encontrar estudos ou casos clinicos que o comprovem. Será que me pode dar uma ajuda? Desde já obrigada.

cassilda disse...

obrigada pela sua visita ao blog.
Quanto ao que me pede, pouco mais posso acrescentar.
Os fibromialgicos sofrem de dores difusas ou generalizadas, a dor é uma queixa pessoal, por isso é muito dificil avaliá-la e sobretudo compará-la para indicar somente uma terapia eficaz.
Aconselho-o a ler um livro muito sucinto sobre como os fibromialgicos conseguem viver com a dor.
" Viver com Fibromialgia"
Autores: Mª Elisa Domingues e Jaime C. Branco
Editora: Gradiva